A traição.

– Esse e um texto fictício e qualquer semelhança com a realidade ou com personagens que você conheça é mera coincidência.

gifvideo-gif-animado-bebe-dancando

 

Sábado a tarde, sentia-se o cheiro da terra sendo queimada pelo calor do verão nordestino em São Paulo.

No programa preferido do paulista, paulistano para esses dias, clube, reuniam-se alguns amigos, a carne típica de paulista, que acha que churrasco só pode ter picanha e contra-file, queimava na churrasqueira…
Ouvia-se de longe o chefe do sagrado monumento de sábado a tarde, gritar.
– Ana, vem pega sua picanha bem passada que você pediu.
Ela replicava de longe, com aquela voz irritante de garota mimada, criada com leite de cabras albinas virgens da Amazônia.
– Ahhh Pepe, eu disse que eu queria queimadinha, não bem passada.
De longe observando um quadro barato de feira, na parede do quiosque eu ouvi o bater dos garfos, que diziam "essa puta pede essa carne bem passada eu faço, agora quer queimada. Culpa do corno do pai dela que faz o que ela quer".

Não consigo entender a responsabilidade imediata dos mimos das pessoas e também não me importo com isso… Continuo observando o quadro, tinha algo nele, algo de vagabundo ao mesmo tempo desonesto…
Tentei ser o pintor por alguns segundos, alguns minutos não me recordo o tempo.
O tempo começou a esfriar, senti que o cheiro do churrasco sumia junto com o vento, sentei na grama, ela ainda estava quente e pinicando minhas pernas cabeludas…

O quadro, ahh ele ainda me intrigava… E nessa de imaginar o pintor entendi a obra, aquilo que era único, que havia sido de outra pessoa, agora estava sendo entregue a um certo alguém.
A decepção é algo ruim, seja com um livro, com um filme, com um pássaro, cachorro e com um quadro é pior.

Existem muitas formas de se trair alguém, mas eu vi naquele quadro uma das formas mais dolorosas que um elemento pode fazer isso… Dar algo único.
Eu suponho que o protagonista do quadro tinha uma ex-mulher, alguém com quem ele compartilhou aquilo, que sempre que passa por essa situação lembrara dessa pessoa.

Eu acredito que Marcos Roberto, o nome do cara do quadro, estava sendo infiel a si, infiel aos princípios da vida, infiel ao significado das pessoas.

Afinal, como pode dizer/dar uma musica a alguém e depois dar a outra pessoa a mesma musica!?

Penso comigo, não existe algo tão ruim que compartilhar uma coisa que é única, uma coisa que é só de duas pessoas, muitas vezes o tempo passa, muitas vezes as pessoas somem, mas não existe como dizer e nem nada que justifique Marcos R. dar a musica que já foi dele e de alguma Maria a essa Joana qualquer do quadro.

Maria, teria sido uma mulher mais feliz se tivesse visto, esse ser com uma mulher em uma cama, namorando um homem, fazendo ponto como travesti em uma esquina. Não restou a essa mulher nada além do desconforto de saber que aquilo e aquele para quem ela era única é na verdade a situação ou ser, que não sabe o valor e a dor que uma mesma musica para duas pessoas pode causar.

Ela se jogou aos pés de uma arvore e ali ficou por longos anos até uma linda flor nascer e ser a única flor que tinha pétalas rosas, verdes e cinzas.

Maria era única nesse momento e seria para sempre, coisa que outras joanas na vida ou qualquer Marcos, não tiraria dela jamais.

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: